Como imprensa noticiou indiciamento de Bolsonaro?

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Análise de manchetes dos 11 maiores veículos do país

24/03/2020 Pronunciamento do Presidente da República, Jair Bolsonaro em Rede Nacional de Rádio e Televisão

(Brasília – DF, 24/03/2020) Pronunciamento do Presidente da República, Jair Bolsonaro em Rede Nacional de Rádio e Televisão.
Foto: Isac Nóbrega/PR

O dia 21 de Novembro é um marco na história da tensa relação do Brasil com seus regimes políticos. A Polícia Federal entrega ao STF um relatório de mais de 800 páginas com o detalhamento de uma suposta organização criminosa que teria como objetivo tomar o poder, após ver seu oponente vitorioso. Dentre os 37 indiciados, o candidato derrotado nas eleições, líder da extrema-direita brasileira: Jair Messias Bolsonaro. Como a imprensa cobriu este acontecimento?

Com base nos canais de whatsapp dos 11 principais veículos do país analisei o teor das manchetes minuciosamente. Vejamos como cada um deles decidiu enquadrar o fato:

  • 15:00 – G1: Bolsonaro é indiciado em inquérito sobre tentativa de golpe de Estado

    Primeiro veículo a trazer a informação, com apuração de César Trali, o G1 foi o único a usar voz passiva. Por conta disso, a Polícia Federal acabou não sendo mencionada. A manchete não cita outros nomes, e também não menciona que existem outros 36 indiciados.

  • 15:10 – UOL: A polícia federal indiciou Bolsonaro, Braga Netto e outros 35 por tentativa de golpe

    Ao optar por mencionar Bolsonaro e Braga Netto, o UOL, assim como outros veículos que fizeram esta escolha, evocam as eleições de 2022, cujo resultado deu causa ao suposto plano para depor o governo eleito.

  • 15:13 – Metrópoles: Inquérito do golpe de estado: PF indicia Bolsonaro e mais 36 pessoas

    O Metrópoles se diferenciou por trazer contexto antes do fato central, o que atrasa a menção a Bolsonaro e PF, deslocando o inquérito e a acusação para o foco.

  • 15:17 – Globonews: PF indicia Bolsonaro, Braga Netto, Augusto Heleno e Ramagem por tentativa de golpe de estado

    A emissora a cabo foi a que trouxe mais pessoas em sua manchete, incluindo inclusive Alexandre Ramagem, diferente das outras.

  • 15:21 – Folha: PF indicia Bolsonaro e mais 36 em investigação de trama golpista

    Abrindo margem para ataques da extrema-direita, a Folha optou pelo estilo literário para resumir o assunto, tratando como “trama golpista”. Reforça o tom adotado a ausência da palavra “pessoas” ao se referir aos outros 36 indiciados.

  • 15:22 – CNN Brasil: PF indicia Bolsonaro e militares por plano de golpe

    Dona da manchete mais curta, a CNN Brasil optou por trazer “militares” ao núcleo, e a referenciar o fato investigado, ao invés do tipo penal (golpe de estado)

  • 15:28 – Gazeta do Povo: PF indicia Bolsonaro e mais 36 pessoas por tentativa de golpe de estado

    A Gazeta do Povo é a dona da “manchete padrão”, a que mais se amolda à média geral de suas concorrentes em termos de palavras e modo de abordar a situação.

  • 15:30 – Band: PF indicia Bolsonaro, Braga Netto e mais 35 em inquérito sobre tentativa de golpe de estado

    A Band também decidiu excluir o “pessoas”, provavelmente para dar fôlego ao seu rico detalhamento do objeto: “inquérito sobre tentativa de golpe de estado”

  • 15:33 – Extra: PF indicia Bolsonaro, Braga Netto, Heleno e mais 34 pessoas por tentativa de golpe após vitória de Lula em 2022

    Dono da manchete mais longa, o Extra surpreende ao trazer o atual presidente ao contexto, lembrando ao leitor os fatos que levaram ao desenrolar da suposta tentativa de golpe de estado.

  • 15:43 – Poder 360: PF indicia Bolsonaro, Braga Netto e mais 35 por tentativa de golpe

    Usando a chapa presidencial para referenciar as eleições, o Poder 360 também exclui “pessoas”, além de não complementar com “de estado” ao falar em golpe.

  • 15:44 – Estadão: PF indicia Bolsonaro, Braga Netto, Heleno e mais 34 por golpe de estado

    Conhecida e assumidamente editorializado, o Estadão cita Heleno junto com a chapa das eleições de 2022, além de suprimir o “pessoas” e citar nominalmente o tipo penal de “golpe de estado”.

Análise quantitativa

Veja os gráficos que auxiliaram nesta análise

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