Trump eleito: qual o impacto em Mococa?

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Nenhum. Tampouco as eleições municipais estadunidenses, mesmo as argentinas, francesas, sul-africanas ou chinesas. Para alguns, pode parecer obviedade, para outros, temerário. Poderiam até criticar esta negativa tão taxativa com alguma longa digressão sobre os impactos do comércio exterior e do dólar na terra da vaquinha. Concordo, concordo, mas não é disso que vim falar aqui.

Lá no início desse ano, a prefeita de Eunápolis-BA, cidade tão desconhecida para o mainstream (ou até mais) do que Mococa, saiu em viagem com mais 57 prefeitos para a Europa. O foco? buscar conhecimentos na cidade de Talín (Estônia) – que já foi considerada como “o novo vale do silício” – e Barcelona (Espanha) para implementar o conceito de cidades inteligentes nos municípios baianos.

Olhando para a nova dinâmica das relações internacionais, a prefeitura de Recife realizou, a pouco mais de um mês, a Primeira Semana da Paradiplomacia. O tema, cada vez mais em voga, tem atraído gestores com visão de futuro, por ser sinônimo de oportunidades para indústria e comércio, para a educação, para o fomento das trocas culturais, para o impulsionamento do turismo e, com tudo isso, para a criação de laços entre cidades que, apesar de distantes geograficamente, compartilham valores em comum.

Vira e mexe surge alguma foto de produtos da Mococa S.A na Itália, no Japão ou nos “States”. Bom, muito bom, nosso nome ao redor do mundo. Mas sem uma costura estratégica, sem alguém que amarre tudo isso e transforme em vantagem ao município, que valor têm que o mundo veja a palavra “Mococa” senão mera curiosidade para as colunas dos impressos e as páginas de Facebook daqui? Anos de “olha, o leite Mococa em um mercado da França”, e o que a população ganhou com isso?

“E como você pensa essa abordagem estratégica, Vinicius?” . Do jeito mais polêmico e impopular possível: a criação de um novo cargo. Um cargo de assessor de relações paradiplomáticas, mas com a condicionante de que só pode ser ocupado por um Bacharel em Relações Internacionais. Alguém que dedique seu expediente a diagnosticar Mococa no cenário internacional e entender como buscar oportunidades para o mocoquense em outros países. Alguém que entenda a importância do intercâmbio, das visitas oficiais, da fixação de cidades-irmãs, alguém que estudou para isso (e não alguém que perdeu as eleições para vereador mas, como prêmio de consolação por ter elevado o quociente, ganhou um carguinho no executivo).

O presidente do Brasil não se entende com o novo presidente Yankee, condena o israelense, abraça o francês, converte-se de a migo a inimigo do venezuelano. No meio disso, ficam os prefeitos, especialmente os de ideologia oposta ao chefe de estado, à procura de uma brecha para “fazer américa”. Felizmente, as coisas mudaram para estados e municípios. As fronteiras estão se liquefazendo nas nações e se conectando nas cidades. É fato que Mococa ensaiou amizades com a China e a cidade de Dihlabeng, mas tais brincadeiras nunca passaram disso (quando muito, serviram de ilustração para um folder eleitoral daqueles cheio de “conquistas”). Mas há que se considerar que shopping algum tornará esta terra mais desenvolvida do ponto de vista econômico se não houver a preocupação paradiplomática na agenda do poder executivo.

@titiodoslivros

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♬ som original – Titio Marcão

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