Ministério Público investiga supersalários na Prefeitura de Mococa

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Valores acima do teto (salário do prefeito) foram detectados nas gestões Felipe Naufel e Elias de Sisto

📸: Vinicius Macía

Ninguém na prefeitura pode ganhar mais do que o prefeito. Tramita na Promotoria de Justiça de Mococa, desde o dia 11 de Setembro, um Inquérito Civil para apurar a existência de salários de servidores públicos acima de $16.063,53, salário do prefeito e teto de remuneração na Prefeitura, por força constitucional. Se comprovados, os supersalários podem configurar enriquecimento ilícito, dano ao erário público e improbidade administrativa. O prefeito Eduardo Barison (PSD) foi avisado da instauração do inquérito logo no dia seguinte.

O Inquérito foi instaurado porque o Tribunal de Contas, ao desaprovar as contas de 2020, quando a gestão foi dividida entre Felipe Naufel e Elias de Sisto, apontou para a existência de pagamentos acima do teto. A despesa extra se somou à alteração de 46% do orçamento inicialmente aprovado, resultando em déficit de quase $20 milhões registrados naquele ano, aumentando a dívida que, hoje beira os $110 milhões. Em termos mais práticos, o mocoquense teve que trabalhar (e pagar impostos) por 61 dias só para pagar o rombo nos cofres públicos.

“Sobre as dívidas judiciais, a Prefeitura Municipal de Mococa, enquadrada no Regime Especial de Pagamento de Precatórios, deveria depositar na conta do E. Tribunal de Justiça a importância (R$ 13.315.626,42) correspondente a 6,71% da Receita Corrente Líquida; contudo, pagou somente R$ 2.485.669,58”

(Tribunal de Contas do Estado de São Paulo)

Em outubro de 2022, o Tribunal de Contas determinou que o corpo de bombeiros fosse avisado da inexistência de Auto de Vistoria em prédios públicos, e a Câmara, dos pagamentos acima do teto constitucional.

Apesar da dificuldade da promotoria em obter nomes, o Tribunal de Contas chegou a apontar, em relatório, alguns servidores que recebiam valores acima do teto. A tabela abaixo mostra tais valores:

Teto salarial (salário do prefeito à época)$15.2K
Nome do servidorRemuneração
Isonel de Oliveira$44K
José Aparecido da Silva$22K
José Aparecido Pessoa$20.5K
Katia Sakae Higashi Passo$97.3K
Maria Izabel Geraldo Calio$17.5K
Maria Luisa Cotrin Martinelli$18.6K
Nelo Pisani Junior$97,3K
Oswaldo Elias Nassim Junior$24,8K
Reginaldo Donizeti de Melo$46.7K
Rodolfo Jesus Pontes Filho$76,2K
Total do excedente:$313K
Fonte: TCE-SP

Mas de onde vem esse valor? A culpa recai sobre o responsável pela folha de pagamento. É que ao calcular os pagamentos, somando salário e demais extras, a administração pública deve cortar qualquer valor que exceda o teto, pagando no máximo o mesmo que o prefeito receberá. Aqui, como aponta o relatório, os servidores receberam mais do que o “fixado e pago ao Prefeito Municipal, sem que houvesse a redução salarial”.

Agora, a prefeitura quer saber se o erro persiste, ou se a nova gestão realiza os cortes necessários na folha. Caso sejam constatados mais pagamentos excedentes, os servidores podem ser obrigados a devolver os valores. Informações obtidas em off adiantam que já ocorreram devoluções quanto aos servidores mencionados na lista, embora não seja possível afirmar que todo o excedente foi devolvido.

Outros problemas

Além dos supersalários, outras irregularidades foram observadas em 2020:

  • Ausência de relatórios internos periódicos;
  • Descumprimento da agenda 2030 da ONU;
  • Elevação do déficit nas contas públicas em 677,22%;
  • Ausência de um plano para estancar a sangria no orçamento;
  • Falta de dinheiro para pagar as dívidas de curto prazo;
  • Registro incorreto de dívidas de precatórios, financiamentos e encargos;
  • Pagamento de precatórios (dívidas judiciais) abaixo do acordado;
  • Indícios de que os precatórios não serão quitados até 2024, como espera a constituição: “Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios que, em 25 de março de 2015, se encontravam em mora no pagamento de seus precatórios quitarão, até 31 de dezembro de 2024, seus débitos vencidos e os que vencerão dentro desse período” (Emenda 99/2017);
  • Atrasos nos pagamentos de PASEP, INSS e FGTS, gerando juros e multas a serem pagos com dinheiro público;
  • Cumprimento parcial de acordos de parcelamento firmados com a Receita Federal;
  • Cargos comissionados que deveriam ser concursados;
  • 4 obras paralisadas;
  • Ações vedadas ao último ano de mandato;
  • Falta de transparência sobre repasses ao Terceiro Setor;
  • Falta de psicólogo e assistente social nas escolas, obrigatórios desde 2019;
  • Falta de transparência sobre os recursos da pandemia;
  • Atraso ou falta de envio de informações obrigatórias ao TCE;

Foi por isso tudo que , assim como nos três anos anteriores, o tribunal desaprovou as contas da prefeitura de 2020.

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