De origem vulcânica, remontam a época em que África e América do Sul se separavam do resto do mundo

Na estrada para Igaraí ou para São Benedito das Areias; na vicinal até São José do Rio Pardo; na rodovia, em qualquer direção, especialmente na Abrão Assed, e também nos rios e cachoeiras… por todo lado, geralmente em morros e pastagens, é comum ver pedras pretas, de diversos tamanhos, espalhadas e escorrendo pelos declives naturais. Você já se perguntou por que elas estão ali?
Sempre imaginei que fossem resultado de alguma chuva de meteoros do passado. Mas a resposta vem debaixo. Você está diante do diabásio, uma rocha extremamente parecida com o popular basalto, a não ser por ser mais áspera e granulosa.

Vamos lembrar um pouco das aulas de geografia: após a pangeia começar a se separar, formaram-se os supercontinentes Laurásia e Gondwana. Foi nessa separação que, após uma erupção vulcânica, a lava resultante se espalhou e, após resfriada, deu origem às porções de diabásio e basalto que observamos aqui hoje. A cor pode variar do tom mais claro (leucocrático) para os nossos conhecidos tons mais escuros (mesocrático ou, o mais escuro de todos, melanocrático), a depender da quantidade de minerais específicos em sua composição.
A principal diferença entre basalto e diabásio está no tempo de resfriamento da lava que originou cada uma das pedras: no caso do basalto, isso foi tão rápido que não deu tempo para que os minerais se manifestassem, o que gerou a superfície mais lisa, em que não dá pra ver as partículas de que é formado. No caso do diabásio, o resfriamento se deu de forma lenta, gerando a granulação mais pronunciada.
Contribuem com o solo
A presença de minerais como ferro e magnésio nas pedras de diabásio e nas formações basálticas contribuem para a formação da conhecida “terra roxa” , uma corruptela do termo “terra rossa”, que em italiano significa “terra vermelha”. vermelha”. Nesse tipo de solo, a fertilidade é elevada, o que permite o cultivo de, dentre outros, café, laranja e cana-de-açúcar.
Referências
- ROSA, Pedro Lian Tito; HARTMANN, Gelvam André; LIMA, Bruno Fadel Barbosa. Mapeamento geológico-geofísico da região de Mococa, Bacia Sedimentar do Paraná, estado de São Paulo. Geologia USP. Série Científica, v. 21, n. 3, p. 41-58, 2021.
- MACHADO, Fábio Braz. Geologia e aspectos petrológicos das rochas intrusivas e efusivas mesozóicas de parte da borda leste da Bacia do Paraná no estado de São Paulo. 2005.
- MATTIA, Vitor Hugo Anselmo de. Estudo experimental da influência do agregado graúdo de diferentes origens mineralógicas nas propriedades mecânicas do concreto. 2018.
- USP – Diabásio – Materiais Didáticos

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