Artimanha faz vítima acreditar que receberá prêmio por ter encontrado carteira perdida; Quadrilha paulistana confessou que sai pelo interior aplicando golpes;

Mococa, 30 de Novembro de 2022. Os golpistas agiram às 09:30 da manhã. 💊Após sacar sua aposentadoria e a pensão do falecido marido no Bradesco, a idosa vai até a Drogal, farmácia que fica bem ao lado. 👁Desde o banco, já estaria sendo observada por Thais, que viu ali uma vítima em potencial. 🚗Junto com Flávia, Wellington e Daiane, vieram para Mococa especialmente para aplicar o conhecido golpe da recompensa. 🏨A certeza do resultado era tanta que pagaram para se hospedar em um hotel de São José do Rio Pardo. Lá, já estão carreados em processo por outro golpe. Mais do que isso: dentre o que foi encontrado pelos policiais, bens de uma cidadã de Ribeirão Preto, fruto de golpe aplicado no mesmo dia.
🚿Passou um tempo analisando as diversas marcas de shampoo. 👋🏼 Seu primeiro contato é com Daiane. 👝Ela chega com uma carteira na mão. “É sua?”, eis que a vítima responde negativamente. 🎬 Na correria da encenação – a vítima chega a contar como “neste exato momento” – surge a suposta dona da carteira. 👏🏼Flávia tomaria as duas como as heroínas que teriam encontrado o bem perdido e que, portanto, fariam jus a um prêmio. Para incrementar a cena, se ofereceu para comprar o remédio que seria a razão de Daiane ali estar.
🚶🏼♀️A primeira a ir buscar o tal prêmio, na confecção da qual Flávia seria dona, é Daiane. 👖Ela volta feliz, com uma calça nas mãos. É a vez da vítima, que no meio de tanto falatório, foi convencida a deixar sua bolsa com as criminosas para ir até em busca da sua recompensa. 💰📱Na bolsa, mais de $2,6K e um Samsung Galaxy A02. Ao voltar, ninguém mais estaria ali.
“há de se destacar que crimes de estelionato e furto dessa mesma natureza estão se tornando recorrentes em cidades do
( Dr. Gustavo de Castro Campos, em Sentença de 10 de Julho de 2023)
interior do Estado, sendo que agentes da cidade de São Paulo se dirigem para pequenas cidades e, já tendo definido o modus operandi, praticam crimes patrimoniais.”
👮🏼♂️A idosa foi à delegacia e prestou queixa. 🖼Os criminosos foram localizados em bebedouro e reconhecidos por meio de fotografias. Com eles, o produto de outros golpes, além de RG falso que Thais apresentou, tentando se passar por Patrícia.
👨🏼⚖️Os acusados alegaram falta de provas, mas pediram que, no caso de uma condenação, fosse fixada a pena mínima. Thais ainda pede a anulação do processo, pois foi retirada da audiência para que a vítima pudesse depor. Sobre isso, o juiz lembra que foi a própria vítima que pediu para ser ouvida sem os acusados na sala. Ele cita o artigo 217 do CPP:
“Se o juiz verificar que a presença do réu poderá causar humilhação, temor, ou sério constrangimento à testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a verdade do depoimento, fará a inquirição por videoconferência e, somente na impossibilidade dessa forma, determinará a retirada do réu, prosseguindo na inquirição, com a presença do seu defensor”
(Código de Processo Penal, artigo 217)
A punição
A sentença saiu no último 10 de Julho, assinada pelo juiz Gustavo de Castro Campos.
🔒Daiane, que disse ter encontrado a carteira, foi condenada por associação criminosa e estelionato contra idoso. Ela cumprirá 2 anos e 9 meses de prisão, além de multa de $646, considerando maus antecedentes e reincidência. Não terá o direito de recorrer em liberdade.
👁Thais, a observadora, além de responder pelos mesmos crimes do grupo, foi condenada por uso de documento falso e falsificação de documento público, com concurso de pessoas. A dosimetria resultou em 4 anos e 4 meses no semiaberto, além de multa de $929. Ela pode recorrer em liberdade.
🔓🧹Flávia, que fez o papel de dona da carteira, e Wellington, o motorista, réus primários, tiveram a prisão substituída por serviço comunitário e um salário mínimo a entidade carente, além de multa de $121 cada um.

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